Não escrevo mais.
Minha alma derrama
Seiva
De ambrosia.
Não faço poemas.
Prego a palavra na carne
E a sacrifico no íntimo
Da minha idiossincrasia.
Bebi da inspiração
A impermanência
Que inebria.
Viva, estou viva,
Porque sou
Poesia.
Não escrevo mais.
Minha alma derrama
Seiva
De ambrosia.
Não faço poemas.
Prego a palavra na carne
E a sacrifico no íntimo
Da minha idiossincrasia.
Bebi da inspiração
A impermanência
Que inebria.
Viva, estou viva,
Porque sou
Poesia.
Vibraram as flores ao meu redor
Da mesma forma que sinto
Sem a ânsia da juventude
A inquietude do tudo querer .
Chove lá fora meu bem
Eu canto para os anjos
Como num filme antigo
Caminho contigo, jaqueta
De couro e calça jeans.
Os olhos não temem anos
Os olhos reconhecem enganos
Neles residem planos
Que a alma visita
Ao entardecer.
É hora do café
O mesmo de sempre
Meu bálsamo
Meu salmo
Meu ritual de fé
Quando fecho meus
Olhos e sinto o gosto
Do amor
Como ele é.
A tarde sempre me sorri as dezesseis horas, mesmo quando o
meu peito chora. Talvez porque meu coração viva de saudades.
Nesses dias em que adoço meu café com melancolia sinto o
calor das asas do céu. Elas me abraçam quando eu não consigo caminhar por mim
mesma, sustentar o peso sob meus ombros, nem discernir os porquês das dores.
É nestas horas que Deus me abraça.
Quando eu procuro compreender meu propósito, minha pequenez,
Ele vem e me leva mansa e pacificamente através do vale das sombras, apesar da
minha ínfima compreensão da Sua graça.
Olho os campos dentro de mim. Estes que foram criados pelas
mãos divinas. As plácidas águas que após as tempestades se realinham.
Torno a olhar para minha pele calejada pelas feridas de
dentro, aquelas que fui calando para ser a fortaleza quando eu ainda não havia
tido tempo de nutrir meu espírito de colo.
E nestas horas em que o sal da terra recobre meus sonhos,
ainda tantos e busco, no pranto uma esperança, um sopro de conforto Ele me
abraça.
Alguns dias mais, outros de forma tão automática que me pego
falando em Seu nome palavras de amor e afeto. Entregando infindos momentos de
louvor íntimos, onde duas linhas de Sua palavra se tornam edifício concreto em
minha morada.
Luto diariamente pela ternura para que ela adoce meu café.
Pela fé para que ela alimente minha alma.
Para que a esperança seja meu berço e que eu possa levá-la
amorosamente.
Nessas horas, talvez, compreendo algum motivo desse lapidar
continuo, que nos torne mais dignos, serenos e afetuosos.
É neste instante que Deus se deixa abraçar por mim.

Antes de mim,
Nasceu a Poesia.
Ainda que seja
Minha filha,
E que o ciclo da vida
A bendiga
Vivemos numa ciranda
Feito lavanda que perfuma
Ou terracota que esfuma
A tela da minha utopia.
Nas vésperas das minhas flores
Como bolos e doces
Ouço cantigas
Tão amigas que espantam
A própria solidão.
E brindo
Com espumante
A taça nobre:
Este corpo que acompanha a alma
Viajante de tantas vidas,
Em constante luta
Pela paz interior
E a quietude do telúrico
Coração...
Ah...Tua boca na minha
Sacra santa ladainha
De um entardecer doce.
É essa boca que trouxe
O sabor da ambrosia,
Deleito-me em teus braços
O melhor dos espaços
De almas que já não caminham
Sozinhas.
Ouço o balanço do vento
À janela, os pássaros,
E de lampejo, suspeito,
Que teu beijo
Contra teu consentimento
Será roubado!
E se ainda houver espaço
E tempo,
Como numa canção de Cole Poter,
Ou de um filme retrô
Sem ser demode,
Ter o que ainda pode
Acontecer
Impresso na palma da mão
Como um descompasso
Incontrolável
Desse insondável
Rastro de paixão.